sábado, 30 de junho de 2012

O TEJO E A CULTURA AVIEIRA


Decorreu há quinze dias no CNEMA, em Santarém, o 1º Fórum Ibérico do Tejo e o 3º Congresso Nacional da Cultura Avieira. O Prof. João Serrano (Instituto Politécnico de Santarém), coordenador deste projecto, afirmou que já estava em preparação o dossier de candidatura da cultura avieira a património nacional e imaterial da UNESCO.


Em paralelo a estas duas iniciativas que visam promover o Rio e a Cultura Avieira, estiveram no certame  várias exposições que chamaram a atenção daqueles que visitaram a Feira Nacional de Agricultura.


O Tejo já foi navegável até Vila Velha de Rodão. De lá para cá a construção de diversas infraestruturas rodoviárias deixaram apenas espaço para embarcações de pesca artesanal e de recreio, o que deverá ser bem aproveitado do ponto de vista turístico, disse-se naquele Fórum. A 50 Km de Lisboa, existe um "produto" que potencia o turismo cultural e o turismo natureza pois inclui toiros, forcados, campinos, cavalos, vinho, gastronomia, avieiros e património histórico e cultural.
Alguns dados sobre o Rio, a maior parte deles trazidos por investigadores espanhóis deixaram os congressistas muito preocupados.
  • A precipitação no Rio Tejo, de 10 em 10 anos, tem vindo a diminuir 18 mm, o que não parecendo muito corresponde a uma redução do volume de água de 18 l X Área da bacio do Tejo (90.000 Km2, 60% dos quais em Espanha).
  • EM Espanha, nos últimos 30 anos, as afluências de água ao Rio Tejo são cada vez menores, sendo o corte da ordem dos 40%. Esta situação é ainda agravada por um enorme transvazo que retira ao rio um volume de água (15 m3/s) que ultrapassa o que chega ao nosso País. Esta água é encaminhada para a Costa Mediterrânea destinada à agricultura intensiva e aos empreendimentos turísticos.
  • É de algum modo evidente que na província da Extremadura (Espanha) o rio foi "privatizado" para produzir energia (Iberdrola) e por uma central nuclear. Há um Convénio assinado entre ambos os países que garante um caudal mínimo afluente a Portugal. Esse caudal deveria ser incrementado, infelizmente interesses privados em Espanha "libertam" cada vez menos caudal. E já se fala num outro transvazo no Tejo e em Espanha... não podemos ser tão permissivos, recomendaram-nos nuestros hermanos!


Estes são alguns dos barcos que a comunidade avieira usava na faina no Tejo. Temos desde os saveiros (mais perto da foz do Rio) com cerca de 8 m, à bateira avieira com cerca de 6,5 m a 7 m. A caçadeira avieira teria cerca de 5,5 m e o caçarico tinha aproximadamente 2,75 m e era usado para a pesca ao pimpão e à enguia.
Em função das dificuldades climáticas e escassez de pescado os primeiros a rumarem a sul e ao Tejo foram os naturais de Ílhavo e os que pescavam na Laguna de Aveiro. Há registos no século XVIII de varinos que se fixaram na Costa da Caparica. No último quartel deste século também os Murtoseiros migraram para sul e foram estes os primeiros a quererem fixar-se ao longo do Tejo.
Os pescadores mantinham-se de costas voltadas para as comunidades locais (terrestres) onde se fixavam que apelidavam de "peixes de coiro" o que terá ocasionado os apelidassem de "ciganos do rio". Estas características obviaram à rápida aculturação destas gentes, o que permite que ainda hoje possamos recolher alguns dos seus traços característicos.

Post Scriptum:
Algumas das preocupações que aqui enunciámos foram também tratadas pela comunicação social regional de que deixamos aqui apenas um exemplo.

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